O quanto somos influenciados e determinados por valores e crenças que não são nossos, apenas uma grande ilusão de que temos sonhos, de que somos livres, que um dia após tanto trabalho forçado, poderemos ser livres e usufruir o que construímos, mas fica uma grande pergunta, como usufruiremos dessa suposta felicidade, sabendo que sempre estaremos em divida com o sistema vigente, uma divida que não morre conosco, passa para a próxima geração, e assim vamos afundando num mar de dividas constantemente crescentes.
Crescente dependência de algo que não pedimos, que não estamos contentes, e a cada dia ficamos mais infelizes, pois a divida e dependência só crescem.
Valores que refletimos sem ao menos se questionar, refletir o porquê vemos o mundo desse modo, o porquê temos determinados desejos, e de onde ele vem; se partirmos do ponto de que boa parte do que acreditamos, sonhamos e desejamos não faz parte de nós, não é nosso verdadeiramente, nos são mostrados “impostos” no momento mágico de nosso nascimento, o primeiro contato que temos com o mundo, a partir desse momento começamos a ser cateczados com valores e crenças, que vão enraizando em nosso ser, crescendo e ficando mais fortes, poluindo nossa visão de mundo, deturpando-a, criando vida própria dentro de nós, influenciando nossa percepção do mundo, o como enxergamos as coisas, e como lidamos com elas, os modelos que temos que seguir em determinadas situações, como lidar com essa diferença, com essa visão completamente diferenciada de mundo, sabendo que em terra de cegos que tem um olho também é cego… Afinal de que adianta enxergar, se ninguém enxerga?
A grande questão que fica é a mudança tem que surgir onde, quem tem que mudar o que tem que ser feito para lidarmos com isso?
Refletindo sobre isso, qualquer argumento usado contra o sistema vigente sempre será abatido com argumentos frios e calculistas, nos dizendo que qualquer coisa feita em prol de uma mudança nunca dará certo, pois o poder sempre será depositado em alguém, e esse alguém estará isento do sistema que implantou, e com isso inevitavelmente ocorrera o mesmo que esta ocorrendo, e com isso todos os sistemas esquerdistas implantados ate hoje são ditos não funcionais e caem em descrença, só que o que não estamos vendo é que o problema não esta em quem ira governar, ou que sistema será implantado, o problema não é externo – um antigo ditado diz: “o externo só é reflexo do interno…” - e sim interno, todas as mudanças que esperamos que um dia aconteçam, só ocorreram se algum dia tomarmos algum partido, e tomarmos consciência do que estamos fazendo aqui, quais nossos verdadeiros sonhos, desejos, necessidades; sair do conformismo, lutar contra essa visão individualista, e implantar os valores que nos são ensinados em todas as linhas religiosas AMOR AO PROXIMO, AMA-LO COMO A TI MESMO, quando refletimos sobre essas palavras, uma reflexão mais profunda percebemos o quanto isso não faz parte de nosso dia a dia, a não ser o famoso ditado empresarial AMAI O SEU BOLSO CHEIO, NÃO IMPORTA A QUE CUSTO – e fica claro o conflito.
Se continuarmos nessa linha de raciocínio, perceberemos que não importa a que custo, temos que preservar nosso conforto, nossos bens, e continuar lutando por mais; qualquer esforço fora disso é visto como desnecessário, como mudar alguma coisa vendo o mundo assim, tendo esses fatores pressionando sua existência, devorando seus dias de vida, abafando sua essência, seus verdadeiros sonhos, desejos, necessidades, a custo do que; de uma civilização, de ser civilizado?
Vamos refletir sobre o que é ser civilizado e quais os benefícios e desvantagens desse processo.
A primeira grande pergunta e ponto de partida para reflexão é, o que é ser civilizado?
Nos dias de hoje esse conceito já faz parte de nossa rotina, algo que já é natural aos nossos ouvidos, mas para chegarmos a esse conceito que temos hoje, muito teve de ser construído, lapidado, imposto, aceito, em fim, todo um processo histórico que culminou nesse ponto, e quando falamos em civilizado, já nos vem uma imagem pronta, um produto que já esta em nós, acreditamos saber o que é, lutamos a seu favor, sem ao menos refletir sobre como esse produto ao qual nos apegamos com tanta forca foi construído através da historia, – se formos entrar em uma questão histórica prolongaremos demais esse trecho, então indico o livro: A construção do Eu não modernidade – as imensas conseqüências da imposição de novos valores para as pessoas no processo de transição da idade media para o renascimento, os manuais de conduta que nos diziam como devíamos nos comportar em publico, como comer, ir ao banheiro, etc, então vemos que grande parte do que acreditamos foi construído e começamos a carregar esse fardo ao nascer.
Acontece que os princípios desse sistema que teve suas origens no renascimento prezam o individualismo, e ai mora o grande dilema, em todo o processo civilizatório as instituições religiosas tomaram um partido contraditório, pois pregavam o amor ao próximo, mas ao mesmo tempo incentivavam o crescimento do capitalismo, sistema vigente até os dias de hoje, então, continuando por essa linha de pensamento, como uma instituição humano que prega tais valores pode ser tão rica, detentora de tanto poder, sendo que a toda a sua filosofia diz que o poder não esta na detenção do poder, e sim na distribuição, igualdade etc, acontece que isso só nos mostra que a esperança no externo é falha, como podemos nomear uma pessoa detentora do poder sabendo que ela pode estar contaminada pelo individualismo excessivo, sem saber a visão que essa pessoa tem de mundo, e alem disso, temos um ponto anterior a eleger alguém para o comando, como podemos eleger alguém sabendo que não estamos conscientes de nós mesmos, de nossos verdadeiros desejos, sonhos, etc, como eleger alguém sem passar por uma imensa reconstrução interna, reconstruir valores, crenças, tudo o que nos foi imposto, e colocar em pratica o que todas as religiões verdadeiramente pregam amar o próximo como a ti mesmo; mudar o anglo de visão de mundo, sair do individualista e entrar em um novo campo de visão, onde deixamos de ser o ponto central passando para o outro a prioridade, trabalho árduo de reconstrução da consciência, trabalho doloroso e cansativo, ai fica outra pergunta, onde arrumaremos tempo para todo esse trabalho interno sendo que trabalhamos oito horas, ficamos quatro dentro de transportes públicos, e o pouco tempo que nos resta, vamos gasta-lo pensando em como mudar alguma coisa no sistema vigente?